Memórias - Parte III


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Parte III

«Reserva, aqui vamos nós!». Jacob não conseguia esconder a felicidade que sentia por estar de volta, ao fim de tantos anos podia rever o seu pai e todos os amigos que deixara. Eu era a razão pela qual ele tivera que abandonar a sua identidade, deixar todos os que amava e recomeçar uma vida, uma vida que não era a sua.

«Pára!», gritei eu. E ainda o carro não tinha parado e já estava do lado de fora, imóvel, com o olhar fixo naquela velha carrinha laranja que parecia engolida pela casa de paredes brancas. «Sim» pronunciou o avô Charlie. Eu nem precisei exprimir uma única palavra, sabia bem o que aquele “sim” queria dizer. Aquela era a velhinha carrinha da minha mãe, aquela que estava presente em tantas das suas memórias. Declinei o olhar em direcção ao Charlie e de seguida em direcção ao Jacob, acabando por voltar a fixa-lo naquela peça velha e ferrugenta que gostava de chamar carro. «Posso?», perguntei sem desviar o olhar. Notei a apreensão nos seus movimentos corporais, nenhum dos dois tinha coragem para me deixar conduzi-lo, no entanto também não tinham coragem para me negar um pedido tão inocente.

«Ela já não deve funcionar», retorquiu Charlie. «Jacob? Tu consegues pô-la a trabalhar, certo?». Reparei que esta minha insistência os estava a deixar tensos e preocupados. Decidi, então, antecipar-me e com um sorriso nos lábios disse, «Esta teria sido a minha companheira de viagens se tivesse crescido cá, por isso gostava de experimentá-la. Uma simples volta a Forks com ela, é tudo o que vos peço». Sabia de antemão que eles nunca iriam negar este meu pedido, era um argumento demasiado forte para o ignorarem.

O tilintar de chaves, vindas do bolso do avô Charlie, declararam-me vitoriosa desta minha batalha.