Archive for 17-01-2010 - 24-01-2010

Lua-de-Mel


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A Ilha de Esme foi palco de um dos momentos mais importantes que Bella e Edward tiveram. Depois de um casamento lindíssimo, eis que chega a lua-de-mel.


Rezava para que aquele momento durasse para sempre. O meu coração pedia para que o tempo parasse naquele olhar enternecedor que Edward me lançava. Era tudo demasiado surreal. O som das ondas rebentando na areia clara da praia, quebrava o silêncio das palavras. A luz prateada da lua iluminava dois corpos rígidos distanciados por um desejo quase mortal.

Era difícil controlar-me naquele momento de encantamento, de puro desejo. Agora queria ser humana, queria experimentar este lado mais carnal e incontrolável que abalava a minha espécie. Os olhos doces de Edward diziam-me que o desejo era mútuo, mas o seu corpo rígido mostrava-me um controlo demasiado forte para que nada disto sucedesse.

Uma aproximação, agora, talvez não fosse a melhor ideia. A sua reacção protectora sobre mim provavelmente se tornaria num afastamento rápido e eficaz, mas por outro lado, numa opção quase diminuta, ele poderia gostar e esquecer todas as barreiras que existiam. Era arriscado, eu sabia. Mas já não conseguia ficar mais tempo naquele impasse sedutor. O meu sangue fervilhava, as minhas hormonas saltavam juntamente com o meu coração, cada vez que a minha mente imaginava um encontro mais profundo.

O movimento do meu corpo na sua direcção fê-lo estremecer. Observei o pânico no seu olhar, a incerteza e a certeza das minhas intenções. De certa forma era divertido vê-lo ali, quieto, rígido e meio perdido nas suas teorias do certo ou errado. Sem nunca desviar o olhar, os meus lábios ficaram a milímetros dos dele. Podia sentir o calor que imanavam debatendo-se com a vaga fria de desejo dos seus lábios. Um pequeno movimento da minha cabeça, foi o bastante para notar uma contracção da sua boca. Parei e tentei arranjar maneira de contornar a situação, agora que estava tão perto não podia colocar tudo a perder.

As minhas mãos foram automaticamente atraídas pelo seu peito firme, percorrendo-o com suavidade e delicadeza, como se fosse a peça mais frágil que alguma fez tocara. O nosso constante olhar quebrou-se para que os meus olhos se fechassem e os meus lábios tocassem o seu pescoço suavemente. Naquele instante apercebi-me que a sua forma de estar, rígida, estava cedendo perante a minha insistência de nos tornarmos num só.

Percorri todo o seu pescoço com pequenos beijos ao mesmo tempo que tentava elevar o meu franzino corpo contra o seu. Nessa ansiedade, senti os seus braços envolverem-me e puxarem-me contra o seu corpo. Sorri e algo dentro de mim declarou-me vitoriosa. Com esse mesmo sorriso, abri os olhos e vislumbrei novamente o seu rosto sublime, antes…antes que os nossos lábios cedessem á força da paixão e do desejo que nos cingia.

Foi perfeito. Encaixaram-se na perfeição, movendo-se em plena harmonia no compasse do clima sedutor que estava formado. As nossas mãos percorriam cada detalhe do nosso corpo, entrelaçavam-se com os fios de cabelos que voavam ao sabor da crescente brisa marítima. O momento foi interrompido pela voz de Edward que numa última tentativa de fazer o correcto me perguntou, «Tens a certeza?». Aproximei-me do seu ouvido e sussurrei, com uma respiração ofegante, «Sim!».

As minhas pernas envolveram a sua cintura robusta e num voo absolutamente maravilhoso, nos refugiamos naquele quarto, amplo e claro, que seria testemunho da oficialização deste perigoso amor.

Autora: Mia Afonso

Querida Alice


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Passados todos aqueles meses de dor e sofrimento, Bella escreve uma nova carta a Alice. Testemunha-se a revolta e a mágoa que Bella ainda guarda dentro de si , aquando da partida repentina de Edward.
Querida Alice,
Um ano! Um ano, foi o tempo que levei para compreender o mundo em que estava vivendo. Demasiado tempo presa na escuridão de um futuro sem qualquer possibilidade de sucesso.

As desculpas ocupavam as vagas na ausência de uma presença sonhada e desejada. Por quanto mais tempo iria conseguir viver neste mundo obscuro, de mentiras e enganos? Sempre quis acreditar que tudo iria melhorar, que a distância coberta pelo véu cinzento algum dia se dissiparia e aí poderia, finalmente, ser feliz.

Enganos e mais enganos que foram crescendo com o tempo que passava impiedosamente. Nunca quis acreditar! Sempre me recusei a crer no que os olhos de estranhos viam. Eles estavam enganados, não eu!

No final, eu estava enganada. Foi necessário bater bem no fundo do precipício para acordar desta minha viagem vertiginosa por entre bons e maus momentos. Finalmente acordei desta angústia.

A raiva invadiu o meu ser, como nunca pensara ser possível. Um sentimento de amor, carinho e afecto foi abruptamente lançado ao vento e no seu lugar depressa cresceu a raiva, a mágoa e a dura desilusão. As palavras transformaram-se na arma mais mortífera contra alguém…alguém que me fez entrar num mundo de ilusão por demasiado tempo.

As lágrimas são a causa de tanta dor acumulada num coração débil e revolto. Elas não fazem desaparecer a tristeza que sinto, elas apenas me fazem recordar ainda mais quem tento esquecer. A sua passagem, em queda livre, pelo meu rosto traz lembranças e memórias dolorosas. Magoa! Agride! Fere!

Magoa pensar em tudo o que foi ou que poderia ter sido. Faz estremecer todo o meu corpo as lembranças que cada imagem, som ou pensamento me trazem de ti. Tento pensar em retrospectiva e pergunto-me: «Foram bons estes tempos?»; «Foram maus?». Não sei… Ainda não consigo pensar conscientemente e avaliar tudo o que se passou. A raiva e a desilusão é demasiado forte para que consiga pensar ou agir com a mínima nitidez.

Sempre me disseram que deveria dormir uma boa noite de sono antes de tomar qualquer decisão…mas não fui capaz. Ali mesmo, no calor da revolta, expulsei todos e quaisquer sentimentos que estavam guardados bem dentro de mim. Não obtive resposta. Não consigo perceber qual o sentimento que o invade neste momento. Mas, muito sinceramente nem sei se o quero saber. Ao fim de tanto tempo, fui capaz de ver com lucidez o que se estava a passar. Foi duro, mas era necessário.

As lágrimas já secaram, os soluços já cessaram e o sofrimento…bem o sofrimento permanece intacto e permanecerá por muito e muito tempo. É doloroso, contudo essencial para que tenha sempre presente na memória este desenlace e não volte a cometer os mesmos erros.

Odeio-o! Sim, ainda nutro esse tipo de sentimento por ele. Não sei ao certo quando irá desaparecer. Pelo menos, enquanto o meu coração se mantiver despedaçado e desgastado, este sentimento perdurará. Para sempre? Talvez não. Para sempre é um tempo demasiado grande. Talvez para o sempre da duração da dor que sinto. E essa sim, essa irá demorar a passar.

Autora: Mia Afonso