Archive for 07-02-2010 - 14-02-2010

Memórias - Parte I


.

Parte I

Cinco anos passados desde a guerra entre os volturi e os cullen por causa de Renesme. Chegou a hora de voltar a Forks e reviver cada segundo de uma vida passada. Um conto, dividido por capitulos, que ganha vida com as memórias e novidades que Remesme vai encontrando por Forks.

Cinco anos! Sessenta meses! Mil oitocentos e vinte e cinco dias! E muitas, muitas horas de sofrimento!

As imagens daquele dia invadem-me a mente vezes sem conta, apoderam-se do meu ser desgastado e frágil. Aqueles olhos vermelhos repletos de incompreensão e vingança, ainda hoje me aterrorizam. Cada passo rápido que dava ao colo de Jacob, cada olhar distante que lançava para os rostos duros e fatigantes dos meus pais, da minha família e de todos os amigos que num gesto de protecção, tentavam afastar os Volturi e todos os seus discípulos de mim…me assombra.

Olhando agora para fora da janela húmida, a paisagem escura, verdejante e chuvosa faz-me submergir para um plano passado. Forks era sem dúvida alguma, o centro de tudo. Foi aqui que a minha mãe nasceu! Foi aqui que os meus pais se conheceram! Foi aqui que nasci, fruto de um amor lindo e intemporal! Foi aqui que conheci Jacob! Foi aqui que perdi todas as pessoas que mais amava!

«Estás bem?», Jacob pergunta num tom de preocupação. Eu aceno com a cabeça afirmamente, enquanto uma gota cristalina cai desamparada pela minha face pálida. Ainda tento esconder o rosto, mas a lágrima parece pesar toneladas e depressa cai, fazendo soar um ruído poderoso e vibrante quando toca a minha mão.

Quando o carro parou, o meu coração parecia querer saltar para fora. Aquela casa branca trazia-me tantas recordações, umas minhas e outras dos meus pais. Histórias das peripécias que faziam ao avô Charlie quando namoravam. Sorri quando vislumbrei a pequena janela do quarto da minha mãe, imaginando o meu pai a entrar pela calada da noite. O braço forte e acolhedor de Jacob, em meu redor, fez-me acalmar deste misto de emoções. O meu olhar encontrou, agora, o de um homem pálido, com um semblante carregado. Era o avô Charlie. Corri para ele de braços abertos e olhos carregados de lágrimas prontas a transbordar mal tocasse o seu corpo.

Mantivemos o contacto todos estes longos anos, mas nunca mais tinha estado na sua presença.
Desde o simbólico funeral que fizemos à minha mãe e a toda a família Cullen, e a alguns membros dos Quileutes, nunca mais havia estado em Forks. Haviam demasiadas lembranças e o Jacob sempre achou que era melhor ficar-mos por Phoenix. Nunca contestei essa sua decisão, até porque, achava ainda não estar preparada para regressar ao lugar onde tudo começou e onde tudo terminou.

Autora: Mia Afonso

Memórias - Parte II


.

Parte II

No exíguo percurso pelo hall de entrada, mil e uma foram as imagens que num flash me vieram à cabeça. Era capaz de ver os meus pais a correr pelas escadas, de ouvi-los rir. Dei por mim a seguir aquela imagem desfocada até ao quarto da minha mãe. Parei na porta branca, fechada, e onde se podia ler «Bella». Abri-a com delicadeza, tentando fazer pouco barulho. Lá estavam eles, deitados na cama, agarrados, como se de um só corpo se tratasse.

Uma mão quente apertou-me o ombro e me trouxe de novo para a cruel realidade. Naquele silêncio doloroso, as lágrimas batiam no chão como pedras. O barulho forte que faziam, parecia espadas aguçadas penetrando cruelmente em nossos corações. Os olhos pregados naquele quarto vazio traziam a secreta esperança de que num passe de mágica tudo pudesse voltar ao normal. Mas o tempo passou e nada mudou, tudo estava tal e qual havia sido deixado. A voz forte e imponente de Jacob fez-me fechar a porta com a mesma delicadeza com que a abri.

A sala de estar estava silenciosa, de um silêncio perturbador. Os nossos olhos tentavam fixar um ponto exacto, evitando assim um qualquer contacto visual desnecessário ou mesmo doloroso. Quebrei o silêncio com um convite, «Vamos sair um pouco, apanhar ar?». O convite não era bem um convite, apenas uma frase lançada como tema de conversa. Neste momento, a última coisa que queria era sair e ver pessoas, sentir o peso do olhar alheio sobre os meus ombros, ouvir comentários e burburinhos sobre mim e sobre a minha família desgastada pela dor.

Jacob foi o primeiro a gostar da ideia, «Isso! Vocês estão mesmo a precisar de sair um pouco e colocar a conversa em dia. Eu, assim, aproveito para ir até à reserva». Charlie tentou mostrar um sorriso entusiasmado, no entanto eu sabia que a sua vontade de sair era tanta como a minha. Porém, sorri de volta.

Um barulho estridente interrompeu a nossa prenunciada partida. Era do posto da polícia, o avô Charlie era preciso na esquadra. Estremeci só de pensar que poderia ficar ali em casa, sozinha com os meus fantasmas. O ar começou a fugir-me dos pulmões, deixei de respirar, entrei em pânico com todos os meus pensamentos sombrios. Felizmente, Jacob percebeu a minha aflição e depressa correu a meu auxílio, segredando ao meu ouvido «respira, respira, respira…».

Autora: Mia Afonso